domingo, 31 de agosto de 2014

Degustação de vinhos portugueses no Brasil: produtos únicos com personalidade, identidade – e sabor!

Por Rogerio Ruschel (*)
Aceitei o convite e esta semana “esqueci o comum e aproveitei o único”. Explico: participei da Grande Degustação Vinhos de Portugal, no espaço Rosa Rosarum, dia 23 de agosto em São Paulo, onde pude degustar vinhos diferenciados e únicos, feitos com uvas com identidade e personalidade próprias. Trata-se de mais um excelente trabalho da Vinhos de Portugal no Brasil, sempre com muita qualidade em tudo.
Portugal tem uma longa tradição na criação de vinhos únicos. Desde o ano 2.000 Antes de Cristo sucessivas gerações se dedicaram a cuidar de vinhas e aperfeiçoar processos de vinificação, trabalhando com cera de 250 castas de uvas típicas da região  - autóctones - que formam um patrimôno vivo de Portugal. Entre estas uvas que me surpreendem sempre estão as brancas a Alvarinho (foto abaixo), Arinto, Encruzado, Fernão Pires (que tem dado ótimos colheita tardia), Roupeiro, Rabo de Ovelha, Gouveio, Cercial, Viosinho Côdega, Loureiro, Trajadura, Azal, Antão Vaz, Bical e outros, em várias regiões portuguesas.
Entre as uvas tintas típicas de Portugal estão a Touriga Nacional (foto acima), Baga, Castelão, Trincadeira, Tinta Roriz (Aragonez), Touriga Franca, Alicante Bouschet, Moreto, Alfrocheiro, Porto, Tinta Barroca, Tinta Cão, Tinta da Barca, Tinta Francisca, tinta Barroca. Estas uvas acabam permitindo a riqueza de vinhos com cerca de 30 DOCs (Denominações de Origem Controlada) e IGs (Indicacões Geográficas) espalhadas pelo país, e nas ilhas Açores e Madeira. Veja o mapa abaixo.
Este patrimônio vinícola, associado à gastronomia também personalizada, tem atraído cada vez mais consumidores, quase na mesma velocidade com que as belezas naturais, histórias e culturais – outro patrimônio do país - tem atraído turistas e enoturistas. Só para lembrar, no começo de agosto saiu o resultado de um concurso no qual os leitores do maior jornal dos Estados Unidos – o USA Today – escolheram o Alentejo (foto abaixo), em Portugal, como o melhor entre 20 destinos vinícolas do mundo, à frente de regiões badaladas como Champanhe e Bordeaux, na França, a espanhola La Rioja, a Toscana italiana, a Croácia e até mesmo Napa Valley, na Califórnia.
Esta Grande Degustação Vinhos de Portugal ai estar também em Curitiba (01/09), Ribeião Preto (03/09) e Vitória (05/09). A Vinhos de Portugal tem um slogan excelente: “Alguns fazem vinhos, outros fazem história”.  E de fato é assim mesmo. Trinta e dois produtores estiveram apresentando seus produtos – vinhos tintos, brancos, rosés e espumantes – e fazendo história. Adorei provar cada pedacinho desta história (abaxo, vinhedo na região do Vinho Verde).

(*) Rogerio Ruschel é jornalista e enófilo, mora e trabalha em São Paulo, Brasil e está sempre à procura de novidades em vinhos regionas portugueses

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O mundo está de olho: saiba como a rolha de cortiça preserva os aromas do seu vinho e os recursos do nosso planeta.

Por Rogerio Ruschel (*)
Meu prezado leitor (a), nosso planeta realmente precisa de ajuda: a partir de 19 de agosto, no restante deste ano de 2014 estaremos consumindo mais recursos naturais do que o planeta consegue repor. Neste que é o Dia da Sobrecarga da Terra (Overshoot Day), medido pelo Global Footprint Network (GFN), entramos “no vermelho” em termos de estoque de recursos - e aquela corujinha do Alentejo, Portugal, que está na foto de abertura, está atenta ao que fazemos.
Eu procuro ajudar como consumidor, inclusive de vinhos: além de procurar rótulos ecológicos ou biológicos, procuro evitar garrafas com tampas de plástico ou alumínio, porque são feitas de recursos finitos, além de deselegantes. E como  jornalista gostaria que você soubesse que a cortiça ajuda porque é um dos poucos materiais construtivos que é 100% natural, 100% ecológico e 100% reciclável – além de 100% eficiente para selar garrafas de vinho.
Ou seja: além de preservar o vinho, a cortiça ajuda a preservar recursos naturais como as abelhas (acima, produzindo mel no Algarve português) que polinizam flores e frutas e por incrível que pareça, estão desaparecendo.
A cortiça é obtida a partir da casca do sobreiro (veja as fotos acima), uma árvore da espécie Quercus, típica de ecossistemas da bacia mediterrânica (Argélia, Marrocos) e litorâneos do sul da Península Ibérica e com influência atlântica (veja  mapa abaixo).
Em Portugal – produtor de 53% da cortiça do mundo e também o principal  importador – este ecossistema se chama Montado de Sobro (foto abaixo) e representa cerca de 21% da área florestal do país.
Espécie protegida por lei há séculos (em Portugal desde a Idade Média), o sobreiro chega a atingir 25 metros e 300 anos de vida e além de seu óbvio valor econômico, ajuda a preservar áreas gigantescas – cerca de 2 milhões de hectares da bacia mediterrânica - veja as regiões no mapa acima.  Em Portugal cerca de 730 mil hectares de Montado de Sobro formam um santário de biodiversidade que protege mais de 60 espécies de aves, 24 de répteis e anfibios, 37 mamiferos e centenas de espécies de plantas – segundo pesquisadores, cerca de 135 diferentes plantas por hectare. Entre os animais protegidos estão o Lince Ibérico e a Cegonha, abaixo.
Como é uma árvore grande, alta e tem uma longa vida, o sobreiro estabiliza ciclos naturais, ajuda a preservar o solo, recicla nutrientes e água, produz matéria orgânica em bom volume, reduz a velocidade dos ventos e pelo fato da cortiça ser um ótimo isolante, ajuda a evitar incendios florestais.  E nestes tempos de crise de recursos do planeta, meu caro leitor, a cortiça tem outra qualidade muito valiosa: é um material altamente ecoeficiente, do qual nada se perde.
A cortiça é retirada do sobreiro (fotos acima e abaixo) a partir de 25 anos de idade, e a partir daí, de nove em nove anos, em média. Mas para uso em garrafas de vinho a cortiça só terá condições ideais a partir do terceiro descortiçamento, quando a árvore vai estar com cerca de 43 anos. Aliás, isso quer dizer, meu caro leitor, que a rolha de sua garrafa pode ter uns 50 anos de vida, mais “velha” do que o próprio vinho, mesmo os de guarda.
Então quando a cortiça ainda não está adequada para se fabricar rolhas, é utilizada em dezenas de indústrias, especialmente para design e mobiliário; os resíduos industriais da produção tem alto valor em indústrias técnicas (automobilistica, aeroviária, ferroviária, vedantes) e até mesmo o pó de cortiça é utilizado para geração de energia “lipa”. E é claro, a cortiça é 100% reciclável.  Além disso, a pegada ambiental da cortiça é altamente competitiva:  as florestas portuguesas de Montado de Sobro fixam até 1 milhões de toneladas de CO2 por ano e as rolhas de cortiça emitem 10 vezes menos CO2 do que rolhas de plástico e 24 vezes menos do que cápsulas de alumínio! E se considerarmos também aspectos econômicos, sociais e culturais, a rolha de cortiça vai continuar abrindo meus vinhos prediletos. A agregacão de valor econômico da indústria da cortiça para Portugal significa 30% do PIB da agricultura, 16.500 empregos diretos e milhares de empregos indiretos associados a atividades que existem em função da preservação do Montado de Sobro, como agricultura familiar, produção de aniais domésticos, mel e cera; produção de carvão, pesca e turismo. 
Para os sete países mediterrânicos produtores (Portugal, Espanha, Marrocos, Argélia, Tunísia, França e Itália) a atividade corticeira sigifica a geração de cerca de 100 mil postos de trabalho – e a extração da cortiça, por sua delicadeza e especialização é o trabalho agrícola mais bem pago do mundo.
E para completar, saiba que a rolha de cortiça protege a qualidade do vinho agregando valor à saúde. Explico: quando em contato com o vinho os taninos e flaonóides da cortiça (e do vinho) formam compostos antioxidantes, antibacterianos e anticancerígenos que ajudam a diminuir o risco de doenças cardiovasculares e degenerativas. E isso explica porque a cortiça é usada também nas indústrias farmacêutica e cosmética.

Pois é, meu caro amigo, e tudo isso preservando a qualidade integral do vinho, especialmente desde 1997 com a adoção do CIPR, um conjunto de normas de fabricação de rolhas de cortiça, que praticamente elimina a possibilidade dela contaminar o vinhos. Na verdade esta certeza já havia sido demonstrada na vida real, quando 70 garrafas de champanhe produzidas entre 1782 e 1788 pela Veuve Clicquot foram encontradas no fundo do mar Báltico, entre a Finlândia e a Suécia, e se constatou que as rolhas de cortiça as tinham mantido intocadas por mais de 220 anos!
Então fica fácil entender porque eu – e mais de 80% dos consumidores e vinhos – preferimos rolhas de cortiça. E entre estes consumidores acrescento o de uma personalidade de prestígio internacional e venerável consumidor de vinhos, o Príncipe Charles que disse m discurso no evento Eironatur, em 2002, na Alemanha,  que “Não entendo a razão pela qual alguém quer colocar uma rolha feia e sintética no gargalo de uma garrafa de vinho, mas isso certamente causa impactos negativos de longo prazo.” 


Saiba mais:

Sobre o aquecimento do planeta e a indústria do vinho - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/01/os-impactos-do-rechauffement-de-la.html
Sobre a cortiça: http://www.apcor.pt/

(*) Rogerio Ruschel mora em São Paulo, Brasil, onde edita o blogue de enoturismo e cultura do viho In Vino Viajas e fica desejando estar sempre em Portugal






quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A vida é cor-de-rosa no Algarve!


VIDA NOVA Rosé 2013 - Adega do Cantor 
Bi-varietal de Syrah e Aragonez, com intenso aroma a bagas maduras, com sugestões de framboesa, mirtilo e groselha.

No palato é intenso e frutado com grande presença de frutos de verão.

Sir Cliff Richard, conheceu e apaixonou-se pelo Algarve há mais de 40 anos. O seu sonho de plantar uma vinha nesta sua propriedade Quinta do Moinho, foi a inspiração para os vinhos Vida Nova, em cuja produção ele próprio está envolvido. Quando está em Portugal é habitual vê-lo com as mãos sujas na vinha ou mesmo a pisar uvas na adega.

domingo, 10 de agosto de 2014

2013 Monte da Ravasqueira Sauvignon Blanc Branco



Monte da Ravasqueira Sauvignon Blanc 2013
é um vinho de cor esverdeada, clara e brilhante, com nariz muito limpo, exótico e intenso a mostrar toda a expressividade da casta. 

O paladar revela notas de fruta tropical, relva cortada, espargos, lima e alguma fruta cristalizada. Na prova tem frescura vibrante e vigorosa, equilibrada pelo volume da fruta. A sensação de prova remete-nos constantemente para o nariz sentindo-se toda a frescura e complexidade da casta com final mineral e longo.

Excelente para acompanhar peixe grelhado, mariscos e carnes brancas, deve ser apreciado fresco.

O vinho Monte da Ravasqueira Sauvignon Blanc 2013 acaba de ganhar uma medalha de Prata na quinta edição do Concours Mondial du Sauvignon, que teve lugar em Bordéus.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

"Sunset Parties" com vinho alentejano


A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana lança a 1ª edição das Sunset Parties Vinhos do Alentejo, uma iniciativa que tem como objetivo de dar a conhecer os vinhos da região.Os eventos, que decorrerão até 23 de agosto em diversas praias portuguesas.

Dia 8 - Bar Marquês, Porto Covo Dia 9 - Restaurante da Praia, Praia da Arrifana
Dia 10 - Hotel Rural Aldeia da Pedralva, Sagres
Dia 14 - Rest Le Club, Grande Real Santa Eulália Resort, Praia de Stª Eulália
Dia 15 - Side Bar, Tivoli, Marina Vilamoura
Dia 16 - Aqualounge, Tivoli Portimão

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Conheça as vinícolas portuguesas com prêmios internacionais no World Ranking Wines & Spirit 2014 – o ranking dos rankings

Por Rogerio Ruschel (*)
É muito importante para uma marca de vinhos conquistar prêmios, porque são indicadores de sucesso e de qualidade para o consumidor final. Por isso vinícolas que investem em melhores uvas, melhores solos e melhores práticas industriais investem também em concursos para obter o reconhecimento de analistas especializados (críticos, sommeliers, enólogos, fabricantes e jornalistas) porque estes poderão influenciar as vendas dos produtos. No mundo do vinho existem muitos concursos, e a World Association of Wine Writers and Journalists - WAWWJ (Associação Mundial de Jornalistas e Escritores sobre Vinhos em livre tradução) organiza o World Ranking Wines & Spirit, um ranking dos rankings porque soma a pontuação conquistada pelas empresas vinícolas e pelos vinhos  em concursos internacionais durante o ano

Em 2013 foram realizados 490 concursos de vinhos no mundo; destes a WAWWJ coletou os dados de 75 concursos considerados internacionais por terem concorrido fabricantes de pelo menos 5 países e de cuja Comissão Julgadora participou pelo menos um associado da entidade. Para a consolidação do World Ranking Wines & Spirit 2014 foram avaliados mais de 650.000 vinhos de todo o mundo. Os dados são fechados no fim de janeiro de cada ano posterior, e os resultados são divulgados no inicio de abril. 

Portugal foi o sexto país mais premiado e teve 12 vinhos classificados na lista "Vinhos do Ano" (veja abaixo), mais do que o dobro dos vinhos de destaque da Itália e quatro vezes mais do que o Brasil.


Portugal ficou em sexto lugar no ranking dos produtores de 2014; conquistou 3023 prêmios em 31 competições em 2013, acumulando 55.155,47 pontos para a classificação mundial de 2014. Isso foi um crescimento muito positivo em relação a 2013, quando Portugal obteve 1887 prêmios em 29 competições ao longo de 2012, atingindo uma pontuação de 40.075,98 pontos – quase 40% de crescimento! Veja o quadro abaixo.


A melhor empresa de vinhos portugueses (The Best Wine Society de WRWS 2014) foi a Sogrape Vinhos de Portugal SA com 162 prêmios em nove competições, alcançando uma pontuação de 3.002,60 pontos, repetindo e ampliando o sucesso de 2013 quando foi também a Melhor Empresa de Vinhos portugueses, com 81 prêmios em sete competições realizadas ao longo de 2012, atingindo uma pontuação de 1.820,86 pontos, como mostra o quadro abaixo com as 20 mais bem pontuadas.

O melhor Vinho 2014 WRWS de Portugal foi o Casa Ermelinda Freitas Moscatel de Setúbal Superior 2003 com seis prêmios em seis competições, alcançando a pontuação de 186,25 pontos. Em 2013 havia sido o Sandeman 40 Year Old Tawny, com cinco prêmios em cinco concursos, totalizando 170,90 pontos. Veja o quadro abaixo com os 20 mais premiados vinhos portugueses em 2013 conforme a World Association of Wine Writers and Journalists.



Para ver detalhes do World Ranking of Wines and Spirits 2014 acesse   http://www.wawwj.com/2014/_SP/home.php
(*) Rogerio Ruschel mora e trabalha no Brasil, é jornalista, editor do "In Vino Viajas", o mais internacional blogue de enoturismo, cultura do vinho e turismo de qualidade do Brasil, com leitores em 98 paises. Conheça em http://invinoviajas.blogspot.com.br 

Monte Seis Reis Syrah 2008


Um monocasta a partir da casta Syrah.
Monte Seis Reis VinhosRegião: Estremoz – Alentejo/Portugal 

Enorme surpresa para o mercado nacional, um Syrah vindo de Estremoz, com uma personalidade incrível.

NOTAS DE PROVA:
Cor: Cor bastante pronunciada.

Aroma: Boa concentração aromática com frutos pretos maduros e especiarias.

Paladar: Sabor intenso, macio e elegante, com taninos robustos e grande persistência final.

Ideal para acompanhar caça, queijos e assados. Deve ser servido à temperatura de 16 a 18ºC e se possível decantado.

Evolução positiva durante 7 a 10 anos, se conservado em local fresco, escuro e a garrafa deitada.
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